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CBF cria grupo de trabalho para implantar fair play financeiro no futebol brasileiro

Iniciativa reunirá 32 clubes, federações estaduais e especialistas para desenvolver modelo sustentável que será implementado em 2026

OddsChecker - 29 de jul 2025, 08:41

5 minutos

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) oficializou, em Portaria assinada em 25 de julho de 2025, a criação de um grupo técnico para elaborar as bases do fair play financeiro no Brasil. Com participação de 32 clubes das Séries A e B e representantes de oito federações estaduais, a proposta busca reforçar a governança e controlar o crescimento acelerado da dívida: só em 2025, o passivo das equipes ultrapassou R$ 10 bilhões, crescimento de 22% em relação ao ano anterior.

O grupo será coordenado pelo vice-presidente da CBF, Ricardo Gluck Paul, e terá 90 dias após sua primeira reunião — prevista logo após o Mundial de Clubes, em julho — para apresentar o Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). A proposta final será entregue até novembro de 2025, com foco em adaptabilidade à realidade regional dos clubes e implementação gradual das regras a partir de 2026.

Participam do processo 16 clubes da Série A, como Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Grêmio, Internacional e Botafogo, além de 12 equipes da Série B e oito federações estaduais. Essa composição busca garantir pluralidade geográfica e institucional no debate sobre práticas de gestão financeira. O grupo também conta com especialistas como economistas, advogados e profissionais da Ernst & Young, anterior ao Cade e à CBF Academy, que auxiliarão na elaboração técnica do regulamento.

A criação do GT atende a uma demanda histórica do futebol brasileiro — inclusive trazida à tona pelo movimento Bom Senso F.C. — por maior controle financeiro, transparência e equilíbrio competitivo. A medida também surge em meio às discussões sobre a divisão de receitas entre clubes e a proposta de uma liga unificada, tema defendido por dirigentes como Samir Xaud e a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, que vê responsabilidade fiscal como pré-requisito para avançar neste projeto.

Com a implantação gradual projetada para 2026, o fair play financeiro assume caráter estruturante na busca por sustentabilidade e profissionalização dos clubes brasileiros. O modelo pretende evitar excessos financeiros, incentivar disciplina orçamentária e, ao mesmo tempo, respeitar as diferenças regionais e realidades econômicas dos clubes.

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